segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A simples forma de se chegar ao topo...

Aluisio Marins, MV

Estive no último final de semana no Athina Onassis Horse Show – uma prova de salto que é parte de um circuito mundial denominado Global Champions Tour (GCT). O GCT é um circuito que corre o mundo em etapas que são realizadas nos principais centros eqüestres mundiais. Neste circuito, saltam somente os melhores do mundo literalmente. E São Paulo, na Hípica Paulista, sediou a final do GCT 2008. Presentes, o primeiro do ranking da FEI, o segundo, o terceiro, um bi campeão olímpico, um tri campeão mundial, e assim por diante. Imaginem a qualidade de cavaleiros, cavalos, equipamentos, e obviamente, da estrutura que foi especialmente montada para o evento. Vale a pena, a todos os que gostam de cavalos, independentemente de modalidade ou raça, assistir à prova pelo menos em um dia no ano que vem.
Como sempre faço, prefiro ficar no paddock, na distensão, no aquecimento e na preparação dos cavalos do que na pista. Penso que é ali que aprendo mais, pois os cavaleiros estão aquecendo seus cavalos, preparando-os para a prova, sem improvisos ou sem o fator sorte fazendo parte do jogo ainda. Ver o aquecimento e a preparação do numero 1 do mundo (cavalo e cavaleiro..) realmente é uma oportunidade de aprendizado. A prova tinha altura de 1,60m, e, portanto, os cavalos tinham que aquecer para tal altura. Imaginamos que os cavalos irão saltar muito para se aquecer, mas, ao contrario, vimos os cavaleiros trabalhando principalmente o aquecimento muscular e mental como um todo. Mais ou menos 1 hora antes da prova, os cavaleiros entram na área de distensão com os cavalos. É um pré-aquecimento, ainda não o real para a prova, mas um momento de aquecer os cavalos e soltar a musculatura, flexionar e preparar o cavalo para saltar posteriormente. Todos caminharam muito seus cavalos, colocando e flexionando o pescoço para baixo e para os lados, deixando o cavalo relaxado e confortável. Após algumas voltas, um leve trote, deixando o cavalo solto e entrando no contato suavemente, sem pressão de mãos, sem “trazer” o cavalo para trás. Iniciam-se então os movimentos laterais (ceder a perna, espádua à dentro, um leve apoio). Ao cruzar as patas, os cavalos soltam a garupa, as espáduas e conseqüentemente suas costelas ficam mais flexíveis. Mais alguns minutos assim, e um passo agradável, solto, sem contato. Alguns param para conversar, para arrumar caneleiras, para tirar uma foto com público, ainda montados. Entra o trabalho a galope, reunidos e com explosão, mas com a mesma sintonia de calma e relaxamento. É impressionante ver o trabalho e lembrar a altura que vão saltar...! Os cavalos passam uma calma, uma tranqüilidade, um relaxamento muito agradável. Enquanto tudo isto acontece, os tratadores (ou melhor, as tratadoras) já estão arrumando os obstáculos. Inicia-se a fase de saltos, onde os cavalos chegam a 1.50 de altura de obstáculos, com a mesma calma que estavam trabalhando. Após alguns saltos em verticais e paralelas, os tratadores assumem os cavalos para um passeio, e para a preparação final para a prova enquanto os cavaleiros esperam o momento de reconhecimento do percurso. Ao reconhecerem o percurso, voltam para suas montadas, desta vez somente para um check up final de saltos, um aquecimento maior ao galope, curvas, e vão para a pista.
Amigos, tudo parece simples como contei acima, mas é obvio que não o é. Mas, é fato que não vi qualquer cavaleiro entrar em conflito com seu cavalo nos momentos que antecederam a prova. Não vi nenhum cavalo tenso ou quente demais na distensão, mas vi, sim, uma preocupação com a técnica, e principalmente a consciência de que na prova não se tem muito para corrigir ou ensinar, mas sim apenas se comprovar o que foi treinado em casa. Tudo isto vindo dos melhores do mundo, pode-se dizer que está aí uma forma simples de se chegar ao topo...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Passeio a Cavalo

Amigos

A UC esteve em Secretário (RJ) ministrando um curso muito legal e interessante. Dentro de um belíismo condomínio, passamos 4 dias dando aulas de manejo e equitação à 2 famílias e seus cavalos. Ao todo, 10 pessoas aprenderam e praticaram todos os aspectos de manejo como escovação, limpeza de cascos, encilhamento, assim como técnicas para montar melhor, com segurança e qualidade de montada. Os cavalos, Mangalargas Marchadores, todos muito mansos colaboraram muito, já que com alunos iniciantes a paciência é fundamental. O local, simplesmente maravilhoso, cheio de represas, muitas montanhas e paisagens de cinema...

Algumas coisas chamaram atenção neste programa, e que acho legal dividir com vocês:
  • as famílias que participaram do curso queriam unir lazer com técnica. Por isso, tivemos que mesclar muito as aulas "chatas" (mas importantes...) de equitação, com passeios. Como? Fazendo com que ficássemos na pista por alguns momentos, e depois, durante o passeio, pudéssemos passar técnicas de equilíbrio, postura, controle dos cavalos, posicionamento na sela, etc.
  • dentre os participantes, tínhamos crianças, e como tal, seus cavalos super mansos. Coisas normais de crianças ocorreram, como por exemplo perder as rédeas no meio do passeio, ficar parado no meio de uma forte subida em um pasto, etc. Impressionante a calma e a sabedoria dos cavalos em saber exatamente o que fazer nestas situações, mesmo que o "saber o que fazer" seja fazer nada...
  • cada vez mais estamos vendo este "mercado" do passeio a cavalo crescer. A grande diferença na minha opinião é que neste momento, este mercado quer crescer com consistência, com qualidade. Como? Os proprietários querem informação, solução, idéias inovadoras e que se adaptem ao seu modo de vida. De certa forma, os cavalos e as idéias de cavalos estão cada vez mais tendo que entrar neste "molde" de proprietários. Parece um pouco forte sair dos moldes tradicionais de um bom horsemanship, mas é fato que coisas novas estão aparecendo, como por exemplo o fato de termos que montar mais tarde do que normalmente montaríamos, as rédeas terem que ser cada vez mais confortáveis, mesmo que não as ideais que usaríamos, e principalmente, os profissionais terem que mudar a forma de abordagem a estes proprietários, em prol de um benefício maior para estas pessoas - a qualidade das horas de lazer. Se fossemos aplicar as aulas "tradicionais" a estas pessoas, não iríamos passar da primeira aula... assim, dar o máximo de técnica super adaptada para o mínimode cansaço ou correções, sem que ficássemos chatos ou técnicos demais, foi nosso maior desafio nesta clínica.

Enfim, passei alguns dias muito bons. Aproveitamos para treinar os funcionários do condomínio, os cavalos colaboraram, conheci um local super agradável e novas amizades foram feitas. Novas idéias e novos programas virão para este grupo de pessoas, que assim como nós, são loucos por cavalos...

Abraço!

Aluisio Marins

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

As lições do mormo
Aluisio Marins, MV

Estamos vivendo o “momento mormo”. Mormo, esta enfermidade que acomete os eqüídeos em geral está em nossas mentes desde o mês de Agosto. Todos estamos tendo que mandar sangues para laboratórios, estes por sua vez estão lotados, alguns não dando conta de atender à demanda, uma constante “radio peão” dizendo coisas novas a cada hora, eventos importantes sendo cancelados ou alterados de formato, enfim, todo um “pacote” de coisas que estamos vivendo neste momento. Afora as questões sanitárias e de explicação do que é a doença em si (podemos elaborar um Mensagem a Cavalo sobre isso), vejamos as lições que podemos tirar de toda esta situação. Podemos tirar disso tudo algumas lições importantes:

· O Brasil vem sendo cada vez mais visto como um dos países importantes na criação de cavalos. Analise por raça e veja que em todas temos importantes números não somente de dados de mercado interno, mas também de exportações e importações. Assim, quando uma doença como esta aparece do nada, muitos setores são afetados, muito dinheiro que seria investido no mercado de cavalos passa a não ser investido.
· O Brasil forma anualmente um número expressivo de médicos veterinários, onde uma grande percentagem vai trabalhar com cavalos. Isto significa que não temos o problema de falta de profissionais, e não teremos por algum tempo. O que falta é a consciência de muitos médicos veterinários de que exames como o AIE devem feitos, cavalos sem AIE não devem entrar nas propriedades que atendem, a sanidade dos cavalos deve estar absolutamente em dia;
· É cada vez mais fácil enviarmos cavalos para fora do país. Isto vem aumentando sistematicamente, e nos mostra que o mercado externo é comprador do cavalo brasileiro. Mas, antes de comprar o cavalo, estas pessoas querem comprar a confiança de que este cavalo é livre de enfermidades, de que tem uma condição sanitária boa. Ninguém compra na desconfiança. O fato de termos doenças como o mormo, a piroplasmose, a AIE, não afeta somente uma venda, mas sim a confiança que o estrangeiro tem no nosso mercado;
· É preciso que tenhamos em mente que alguns aspectos, mesmo que chatos ou complicados, deve ser levados em conta: transitar com os documentos corretos, realizar os exames de AIE, vacinar, não deixar entrar em sua propriedade cavalos suspeitos ou sem exames, etc;
· É fato, também, que nossa legislação talvez deva ser revista. O que um policial rodoviário faz com um cavalo sem a documentação correta? Um policial rodoviário sabe exatamente o que checar em uma carga de cavalos? Os trâmites para se obter um GTA estimulam o proprietário a fazê-lo? A legislação de passaportes x GTA´s é realmente entendida por todos? Por alguns sim, mas lembre-se que muitos nem sabem que existe o passaporte, muitos nem sabem que o GTA nada tem a ver com o passaporte, etc.
· Imagine que um caso de mormo afetou: venda de rações, patrocínios a eventos, anunciantes em programas de TV, que iriam cobrir eventos cancelados, fretes, competições que iriam ser realizadas, cavalos que iriam ser vendidos, cavalos que iriam ser comprados. Obviamente que não adianta aqui achar culpados, mas sim tentarmos pensar de forma mais ampla do que simplesmente o caso de mormo de agora. É preciso que haja um pensamento mais amplo, global e de soluções. É preciso que acompanhemos a evolução do nosso mercado, de forma a não perdermos mais dinheiro, mais negócios...

A UC e você

Amigos... o Loucos por Cavalos está no ar. Qual a idéia? Informação, troca de experiências e principalmente conversarmos sobre os acontecimentos da Universidade do Cavalo, o que vivemos aqui e as coisas que ocorrem no nosso dia a dia...

Participe, contribua, sugestione, e venha com a gente!

Já temos um artigo sobre o Mormo... afinal, em tempos de Mormo, temos que trocar informações...

Neste final de semana estaremos recebendo a Dra. Claudia Leschonski, Médica Veterinária que estará ministando o Curso de Enfermagem e Primeiros Socorros em Eqüinos.

Também estarmos em Secretário, no Rio de Janeiro, com o Curso de Equitação e Manejo, dado por mim a um grupo de cavaleiros e amazonas, seus tratadores e cavalos.

Um abraço, participem!!

Aluisio Marins