Aluisio Marins, MV
Estive no último final de semana no Athina Onassis Horse Show – uma prova de salto que é parte de um circuito mundial denominado Global Champions Tour (GCT). O GCT é um circuito que corre o mundo em etapas que são realizadas nos principais centros eqüestres mundiais. Neste circuito, saltam somente os melhores do mundo literalmente. E São Paulo, na Hípica Paulista, sediou a final do GCT 2008. Presentes, o primeiro do ranking da FEI, o segundo, o terceiro, um bi campeão olímpico, um tri campeão mundial, e assim por diante. Imaginem a qualidade de cavaleiros, cavalos, equipamentos, e obviamente, da estrutura que foi especialmente montada para o evento. Vale a pena, a todos os que gostam de cavalos, independentemente de modalidade ou raça, assistir à prova pelo menos em um dia no ano que vem.
Como sempre faço, prefiro ficar no paddock, na distensão, no aquecimento e na preparação dos cavalos do que na pista. Penso que é ali que aprendo mais, pois os cavaleiros estão aquecendo seus cavalos, preparando-os para a prova, sem improvisos ou sem o fator sorte fazendo parte do jogo ainda. Ver o aquecimento e a preparação do numero 1 do mundo (cavalo e cavaleiro..) realmente é uma oportunidade de aprendizado. A prova tinha altura de 1,60m, e, portanto, os cavalos tinham que aquecer para tal altura. Imaginamos que os cavalos irão saltar muito para se aquecer, mas, ao contrario, vimos os cavaleiros trabalhando principalmente o aquecimento muscular e mental como um todo. Mais ou menos 1 hora antes da prova, os cavaleiros entram na área de distensão com os cavalos. É um pré-aquecimento, ainda não o real para a prova, mas um momento de aquecer os cavalos e soltar a musculatura, flexionar e preparar o cavalo para saltar posteriormente. Todos caminharam muito seus cavalos, colocando e flexionando o pescoço para baixo e para os lados, deixando o cavalo relaxado e confortável. Após algumas voltas, um leve trote, deixando o cavalo solto e entrando no contato suavemente, sem pressão de mãos, sem “trazer” o cavalo para trás. Iniciam-se então os movimentos laterais (ceder a perna, espádua à dentro, um leve apoio). Ao cruzar as patas, os cavalos soltam a garupa, as espáduas e conseqüentemente suas costelas ficam mais flexíveis. Mais alguns minutos assim, e um passo agradável, solto, sem contato. Alguns param para conversar, para arrumar caneleiras, para tirar uma foto com público, ainda montados. Entra o trabalho a galope, reunidos e com explosão, mas com a mesma sintonia de calma e relaxamento. É impressionante ver o trabalho e lembrar a altura que vão saltar...! Os cavalos passam uma calma, uma tranqüilidade, um relaxamento muito agradável. Enquanto tudo isto acontece, os tratadores (ou melhor, as tratadoras) já estão arrumando os obstáculos. Inicia-se a fase de saltos, onde os cavalos chegam a 1.50 de altura de obstáculos, com a mesma calma que estavam trabalhando. Após alguns saltos em verticais e paralelas, os tratadores assumem os cavalos para um passeio, e para a preparação final para a prova enquanto os cavaleiros esperam o momento de reconhecimento do percurso. Ao reconhecerem o percurso, voltam para suas montadas, desta vez somente para um check up final de saltos, um aquecimento maior ao galope, curvas, e vão para a pista.
Amigos, tudo parece simples como contei acima, mas é obvio que não o é. Mas, é fato que não vi qualquer cavaleiro entrar em conflito com seu cavalo nos momentos que antecederam a prova. Não vi nenhum cavalo tenso ou quente demais na distensão, mas vi, sim, uma preocupação com a técnica, e principalmente a consciência de que na prova não se tem muito para corrigir ou ensinar, mas sim apenas se comprovar o que foi treinado em casa. Tudo isto vindo dos melhores do mundo, pode-se dizer que está aí uma forma simples de se chegar ao topo...