sexta-feira, 10 de outubro de 2008

As lições do mormo
Aluisio Marins, MV

Estamos vivendo o “momento mormo”. Mormo, esta enfermidade que acomete os eqüídeos em geral está em nossas mentes desde o mês de Agosto. Todos estamos tendo que mandar sangues para laboratórios, estes por sua vez estão lotados, alguns não dando conta de atender à demanda, uma constante “radio peão” dizendo coisas novas a cada hora, eventos importantes sendo cancelados ou alterados de formato, enfim, todo um “pacote” de coisas que estamos vivendo neste momento. Afora as questões sanitárias e de explicação do que é a doença em si (podemos elaborar um Mensagem a Cavalo sobre isso), vejamos as lições que podemos tirar de toda esta situação. Podemos tirar disso tudo algumas lições importantes:

· O Brasil vem sendo cada vez mais visto como um dos países importantes na criação de cavalos. Analise por raça e veja que em todas temos importantes números não somente de dados de mercado interno, mas também de exportações e importações. Assim, quando uma doença como esta aparece do nada, muitos setores são afetados, muito dinheiro que seria investido no mercado de cavalos passa a não ser investido.
· O Brasil forma anualmente um número expressivo de médicos veterinários, onde uma grande percentagem vai trabalhar com cavalos. Isto significa que não temos o problema de falta de profissionais, e não teremos por algum tempo. O que falta é a consciência de muitos médicos veterinários de que exames como o AIE devem feitos, cavalos sem AIE não devem entrar nas propriedades que atendem, a sanidade dos cavalos deve estar absolutamente em dia;
· É cada vez mais fácil enviarmos cavalos para fora do país. Isto vem aumentando sistematicamente, e nos mostra que o mercado externo é comprador do cavalo brasileiro. Mas, antes de comprar o cavalo, estas pessoas querem comprar a confiança de que este cavalo é livre de enfermidades, de que tem uma condição sanitária boa. Ninguém compra na desconfiança. O fato de termos doenças como o mormo, a piroplasmose, a AIE, não afeta somente uma venda, mas sim a confiança que o estrangeiro tem no nosso mercado;
· É preciso que tenhamos em mente que alguns aspectos, mesmo que chatos ou complicados, deve ser levados em conta: transitar com os documentos corretos, realizar os exames de AIE, vacinar, não deixar entrar em sua propriedade cavalos suspeitos ou sem exames, etc;
· É fato, também, que nossa legislação talvez deva ser revista. O que um policial rodoviário faz com um cavalo sem a documentação correta? Um policial rodoviário sabe exatamente o que checar em uma carga de cavalos? Os trâmites para se obter um GTA estimulam o proprietário a fazê-lo? A legislação de passaportes x GTA´s é realmente entendida por todos? Por alguns sim, mas lembre-se que muitos nem sabem que existe o passaporte, muitos nem sabem que o GTA nada tem a ver com o passaporte, etc.
· Imagine que um caso de mormo afetou: venda de rações, patrocínios a eventos, anunciantes em programas de TV, que iriam cobrir eventos cancelados, fretes, competições que iriam ser realizadas, cavalos que iriam ser vendidos, cavalos que iriam ser comprados. Obviamente que não adianta aqui achar culpados, mas sim tentarmos pensar de forma mais ampla do que simplesmente o caso de mormo de agora. É preciso que haja um pensamento mais amplo, global e de soluções. É preciso que acompanhemos a evolução do nosso mercado, de forma a não perdermos mais dinheiro, mais negócios...

Um comentário:

Unknown disse...

Oi, sou realmente louca por cavalos. Estou me preparando para entrar na Universidade Federal de Santa Maria, quero cursar Medicina Veterinária e pretendo me especializar em cavalos.
Gostaria muito de saber sobre os valores dos cursos da UC.

Desculpe estar enviando este pedido por comentaria mas, não encontrei nada a respeito no site.

Atenciosamente
Je